Intestino e fezes. Sem tabu ou constrangimento

por Elaine Silveira

Captura de tela 2016-05-25 10.28.07

Problemas intestinais exercem impacto significativo em muitos aspectos na vida das pessoas, seja no trabalho, vida social e relacionamentos. Uma alimentação inadequada,  estresse físico e emocional e atividades sedentárias dificultam o processo natural da digestão, interferindo diretamente no funcionamento intestinal. Se o intestino não funciona bem, é uma porta de entrada para vários problemas de saúde. Tão ou mais importante do que aquilo que você come é o que você absorve. É o que você absorve que leva seu organismo a um estado de saúde ou inflamação, alergias e doenças. E essa absorção se dá nos intestinos.

O intestino tem seu próprio sistema nervoso autônomo, com uma rede de 100 milhões de neurônios. Por isso ele já foi chamado de Segundo Cérebro e O Cérebro Desconhecido, tema de dois livros publicados. O intestino produz 80% do potencial de imunidade do corpo humano, além de ser um grande produtor do hormônio do crescimento, um importante aliado contra o envelhecimento. Não bastasse isso,  você sabia que 95% da serotonina são produzidas e armazenadas nos intestinos? A serotonina é um neurotransmissor que participa de importantes funções, entre elas a regulação do sono, humor, sensação de saciedade. Mas para isso, precisamos de nossos intestinos bem cuidados dando-lhe adequadas condições para o exercício de sua função.

Você sabia que uma leve alteração emocional também pode interferir em todo o movimento dos intestinos? Embora a depressão seja uma doença multifatorial, o intestino exerce grande influência na saúde emocional. Mesmo as doenças chamadas de psicológicas têm sua origem na hiper acidez orgânica. que corrói as membranas celulares, atingindo as células.

Por essa razão, há casos em que a depressão, irritabilidade e nervosismo desaparecem quando a pessoa libera seus refugos internos. Também já se verificou relação entre a Síndrome do Cólon Irritável com transtornos de ansiedade e depressão. A palavra enfezada representa isso muito bem. O que seria pra você uma pessoa enfezada? Seria uma pessoa cheia de Fezes? Ou irritada? Ou ambas as coisas, sendo uma consequência da outra?

Tenha uma ideia do que você pode estar acumulando em seu organismo devido ao mal funcionamento intestinal

Placas mucoides retiradas durante sessões de Hidrocolonterapia

Este slideshow necessita de JavaScript.

Pequenas mudanças que fazem toda diferença para ter um intestino saudável

Comece o dia bebendo um copo de água morna com 1 colher de vinagre de maçã orgânico, 1 limão espremido e glutamina, que exerce importante função na saúde e função intestinal, favorecendo uma melhor absorção de nutrientes e tem importante papel de reguladora da permeabilidade/barreira intestinal.

Beba bastante água ao longo do dia,  30 a 50 ml/kg/dia. Todos sabem que alimentos com fibras são fundamentais para a formação e eliminação do bolo fecal, mas o consumo de fibras pede adequada ingestão de água, senão ao invés de ajudar podem piorar ainda mais o trânsito intestinal ressecando as fezes.

 Há 3 anos a OMS relatou um órgão virtual, chamado microbiota intestinal, a variada comunidade de bactérias que vivem em nossos intestinos, dada a importância de todo esse sistema no equilíbrio do corpo. Não é de se espantar considerando que há mais bactérias no trato digestório do que células no corpo. Cada vez fica mais evidenciado que a microbiota sustenta as principais funções vitais do organismo. Um estudo feito no Instituto Tecnológico da Califórnia (CalTech) mostrou que as diferentes bactérias que vivem no intestino humano podem ter relação direta com o desenvolvimento do Parkinson. Está surpreso? É isso mesmo, o Mal de Parkinson pode começar no intestino, não no cérebro.

Entre os alimentos probióticos o Kefir e Kombucha estão entre os mais completos para colonizar o intestino e manter o equilíbrio da microbiota intestinal. Nos grãos de kefir vivem 37 tipos de bactérias e leveduras, microrganismos simbióticos envolvidos em uma matriz de proteínas, lipídios e açucares que resultam em uma bebida probiótica fermentada, de alto valor nutricional e um grande aliado da saúde intestinal.

O Programa “Trust me, I’m a Doctor” fez um programa na Escócia com 3 grupos de voluntários divididos em 3 alimentos indicados para os intestinos: Um grupo ingeriu produtos probióticos vendidos em supermercados, o outro grupo consumiu Kefir e o terceiro grupo incluiu na dieta alimentos com inulina, uma fibra probiótica (presente em alcachofra-de-jerusalém, raiz de chicória, cebola, alho e alho poró). A mudança mais efetiva foi observada no grupo que consumiu o kefir, com aumento de Lactobacillalles, bactéria extremamente benéfica para os intestinos. Em análise laboratorial em várias bebidas probióticas fermentadas, realizada pela Universidade de Roehampton, observou-se que o Kefir possui uma variedade muito maior de bactérias saudáveis com relação aos produtos comerciais.

Há variedades de grãos de Kefir que são cultivados na água e no leite e, além destes, também tem a Kombucha. Cuidar de kefir e kombucha em casa dá trabalho, mas vale a pena, seu intestino e saúde agradecem. Além de tomar o kefir, enemas de retenção de kefir para disbiose intestinal, ajudando a recolonizar a microbiota.

Os grãos de colônias de Kefir e scoby de kombucha podem ser obtidos de doadores. Há sites específicos, universidades e várias maneiras de se obter. Coloque a palavra Kefir no facebook e você encontrará várias comunidades de pessoas dispostas a doar Kefir.

A microbiota intestinal tem tomado tamanha importância que profissionais já fazem uso de implante de microbiota para tratamentos de diversas doenças e também emagrecimento, pois já se observou diferenças na microbiota de pessoas magras e obesas, saudáveis e doentes. E hoje a modulação intestinal individualizada através do uso de probióticos e prebióticos é uma realidade nas clínicas médicas e de nutrição.

A dieta não é apenas essencial para manter o crescimento, a reprodução e a saúde humana, mas também modula e apoia as comunidades microbianas simbióticas que colonizam o trato digestivo – a microbiota intestinal. O tipo, a qualidade e a origem dos alimentos moldam os micróbios intestinais e afetam sua composição e função. Por isso não se deve apenas pensar em probióticos mas também em prebióticos que são o alimento, a nutrição das boas bactérias. As FIBRAS SOLÚVEIS aumentam o volume fecal, as INSOLÚVEIS são fermentadas pelas bactérias intestinais produzindo metabólitos importantes.  A ingestão de prebióticos pode modular significativamente a microbiota colônica, aumentando o número de bactérias específicas e, assim, alterando a composição da microbiota.

Focaremos nas fibras alimentares, que interagem diretamente com os micróbios intestinais e levam à produção de metabólitos essenciais, como ácidos graxos de cadeia curta, e aqui os principais são:

Psillium, tem efeito anti-inflamatório, restaura os níveis de glutationa colônica (antioxidante); preserva a cito arquitetura intestinal, aumenta  o conteúdo intestinal; inibe a produção de mediadores pró-inflamatórios; aumenta a produção AGCC (ácidos graxos de cadeia curta), principalmente butirato e propionato, determinantes para o trânsito intestinal e pH colônico distal.

Inulina de chicória – ao ser fermentada pelas bactérias intestinais estimula seletivamente o crescimento da microbiota intestinal benéfica (Bifidobacteria e Lactobacilli); e gera como resultado dessa fermentação  AGCC (ácidos graxos de cadeia curta). Aumenta a biomassa fecal e o conteúdo de água das fezes, levando ao peristaltismo intestinal, excreção facilitada, aumento da frequência e produção das fezes.

FOS – A inulina e os frutooligossacarídeos (FOS) diminuem as concentrações de  triglicerídeos.

Uma sugestão para casos de constipação é fazer uma mistura de linhaça e ameixa e deixar de molho em um copo com água durante a noite. No dia seguinte bata esta mistura e consuma uma a duas colheres por dia.

A posição sentada no vaso sanitário não favorece o trânsito intestinal e, muito pelo contrário, comprime o reto dificultando o processo de evacuação. Então, ao se sentar no vaso sanitário preste atenção à posição correta para não comprimir a porção final do intestino grosso. Veja a posição correta para deixar o músculo puborretal relaxado. Esse músculo ajuda a controlar a eliminação durante a evacuação. Na Universidade de Stanford (Stanford University Pélvic Floor Clinic), ficar de cócoras ao evacuar é recomendado a todos os pacientes com problemas no cólon. Mas todos devem ficar nesta posição ao evacuar, formando um ângulo de 35 graus, posição anatômica mais favorável.

Slide3http://www.unicidade.org

Outro aspecto importante é que o intestino gosta de rotina. Procure estabelecer um horário para ir ao banheiro. Esta regularidade cria uma Memória Intestinal. Por isso é muito importante você atender ao chamado do intestino. Uma pessoa que prende, segura as fezes em situações como por constrangimento em usar um banheiro, acabará ficando com intestino preso. O intestino é considerado o Segundo Cérebro pois é o único órgão capaz de executar suas funções independente do Sistema Nervoso Central. Ou seja, os intestinos “pensam”. Ao segurar as fezes com frequência o cérebro “intestinal” entenderá que esta não é uma função importante e a pessoa perde a sensibilidade e deixa de receber os comandos que sinalizam a necessidade de ir ao banheiro.

Devido à coloração e aspecto, as fezes indicam alguma possível patologia ou desarranjo:

Captura de tela 2016-05-27 16.09.29

Captura de tela 2017-08-17 14.35.13

Sedentarismo, má postura e a falta de exercícios também prejudicam a motilidade intestinal.

Exercícios aeróbicos moderados e regulares melhoram o padrão de defecação, o tempo e trânsito colônico,  e aliviam sintomas de gases. Melhor ainda se as atividades incluírem exercícios pélvicos como na prática de yoga. Faça você mesmo regularmente, encaixando em sua rotina essas práticas de yoga para os intestinos:

Slide2

Cuidado com a automedicação e uso excessivo de laxantes e medicamentos como antibióticos e anti inflamatórios que podem levar à disbiose intestinal, que é o desequilíbrio entre os micro-organismos benéficos e patogênicos da microbiota intestinal. Os laxantes também causam dependência e irritam a mucosa. A disbiose leva à inflamação e permeabilidade intestinal, absorção de toxinas e ao desenvolvimento de várias doenças.

Não se pode afirmar quais são os melhores alimentos para a saúde intestinal porque cada indivíduo é único e os exames de DNA cada vez confirmam mais isso.  No entanto, os alimentos fermentados produzem micróbios benéficos que são extremamente importantes para a saúde humana,  equilibram a microbiota intestinal, favorecem a desintoxicação orgânica e fortalecem a imunidade. De maneira geral, os maiores inimigos dos intestinos são os açúcares, adoçantes, cereais refinados, glúten, laticínios, corantes, conservantes, álcool (irritante da mucosa, diminui a absorção de vitaminas e minerais, aumenta o risco do câncer em 200 vezes se associado ao cigarro). Mas também ajuda muito você estar atento sobre como você se sente após as refeiçoes, sensação de má digestão, distensão abdominal, gases, que podem sinalizar uma alergia ou intolerância alimentar ou dificuldade de digerir determinados alimentos.

De difícil digestão e rápida fermentação, certos alimentos podem gerar sintomas gastrointestinais, como diarreia, inchaço abdominal, desconforto e flatulência. São os chamados alimentos com alto teor de FODMAPs  incluindo oligossacarídeos (trigo, centeio, diversas frutas, legumes e leguminosas, vegetais crucíferos), dissacarídeos (lactose do leite e derivados), monossacarídeos (frutose das frutas e mel) e polióis (presente em algumas frutas e adoçantes).

Alto teor de FODMAPs

  • Vegetais: cebola, alho, aspargo, alcachofra, ervilha, beterraba, couve, aipo, milho, couve-flor
  • Frutas: maçã, pera, manga, melancia, pêssego, ameixa, abacate
  • Leite e derivados: leite de vaca, iogurte, queijo fresco, ricota, creme de leite, sorvete
  • Proteínas: feijão, grão-de-bico, soja
  • Pães e cereais: trigo ou centeio e massas
  • Industrializados: com xarope de milho, glicose, sacarose e adoçantes como xilitol, manitol e sorbitol
  • Oleaginosas: castanha-de-caju, pistache

Baixo teor de FODMAPs

  • Vegetais: alface, abobrinha, berinjela, espinafre, cenoura, pepino, ervas aromáticas
  • Frutas: tomate, banana, laranja, tangerina, uva, melão, kiwi, morango, framboesa, maracujá, abacaxi
  • Leite e derivados: leite de vaca, iogurte e queijo, todos sem lactose, queijos duros e leite de amêndoas
  • Proteínas: carne, peixe, frango, tofu
  • Pães e cereais: massas sem glúten, aveia, arroz, quinoa
  • Industrializados: biscoito sem glúten, bolacha de arroz
  • Oleaginosas: amêndoas e sementes de abóbora

Procedimentos naturais como as lavagens intestinais, tanto os enemas como a hidrocolonterapia, têm sido efetivos no restabelecimento das funções intestinais. De uma maneira mais efetiva, além de limpar de todos os detritos retirando material acumulado durante anos, a hidrocolonterapia tem também uma ação a longo prazo. Ao estimular a motricidade do cólon, ela o reeduca de maneira a lhe permitir exercer corretamente sua função excretora. Essa ginástica da musculatura é um dos efeitos mais efetivos da hidroterapia do cólon. Saiba mais em www.hidrocolon.com.br

Captura de tela 2016-05-25 11.11.56

Veja também: técnica simples para correção das válvulas intestinais

Para saber mais sobre o blog: Unicidade, integrando corpo, mente e espírito

 Inscreva-se no blog para receber práticas de yoga, meditação e dicas de saúde em seu email. O link Seguir está no final da página.

Se você gostou deste conteúdo, compartilhe e deixe seu comentário. Vou adorar saber sua opinião. Muito obrigada!!!

Sugestão de leitura:

  • Bourrie, Benjamin C. T., Benjamin P. Willing, and Paul D. Cotter. “The Microbiota and Health Promoting Characteristics of the Fermented Beverage Kefir.” Frontiers in Microbiology 7 (2016): 647. PMC. Web. 2 June 2017.
  • Seven-Day Brown Rice Regime + Rectally Injected and Retained Kefir-Grain Implants. A Natural Protocol for Correcting Irritable Bowel Disease. http://users.sa.chariot.net.au/~dna/IBD/

  • Teste indica as comidas que melhoram a flora intestinal. http://www.bbc.com/portuguese/geral-38770829?SThisFB

  • Witthuhn RC, Cilliers A, Britz TJ. Evaluation of different preservation techniques on the storage potential of Kefir grains. J Dairy Res. 2005 Feb;72(1):125-8.
  • Sampson TR et al. Gut Microbiota Regulate Motor Deficits and Neuroinflammation in a Model of Parkinson’s Disease. Cell. 2016 Dec 1;167(6):1469-1480.e12. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.cell.2016.11.018

  • Ianiro G, Bibbò S, Gasbarrini A, Cammarota G. Curr Drug Targets. 2014;15(8):762-70. Therapeutic modulation of gut microbiota: current clinical applications and future perspectives. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24909808

  • Bourrie, Benjamin C. T., Benjamin P. Willing, and Paul D. Cotter. “The Microbiota and Health Promoting Characteristics of the Fermented Beverage Kefir.” Frontiers in Microbiology 7 (2016): 647. PMC. Web. 2 June 2017.
  • Prado, Maria R. et al. “Milk Kefir: Composition, Microbial Cultures, Biological Activities, and Related Products.” Frontiers in Microbiology 6 (2015): 1177. PMC. Web. 2 June 2017.
  • Hungin, A P S et al. “Systematic Review: Probiotics in the Management of Lower Gastrointestinal Symptoms in Clinical Practice – an Evidence-Based International Guide.” Alimentary Pharmacology & Therapeutics 38.8 (2013): 864–886. PMC. Web. 1 June 2017.
  • Whelan K. Probiotics and prebiotics in the management of irritable bowel syndrome: a review of recent clinical trials and systematic reviews. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2011;14:581–7.
  • Sommer F., Backhed F. The gut microbiota—masters of host development and physiology. Nat Rev Microbiol. 2013;11:227–238.
  • Petersen, Charisse, and June L Round. “Defining Dysbiosis and Its Influence on Host Immunity and Disease.” Cellular Microbiology 16.7 (2014): 1024–1033. PMC. Web. 31 May 2017.
  • DeGruttola, Arianna K. et al. “Current Understanding of Dysbiosis in Disease in Human and Animal Models.” Inflammatory bowel diseases 22.5 (2016): 1137–1150. PMC. Web. 31 May 2017.
  • Namkung, Jun, Hail Kim, and Sangkyu Park. “Peripheral Serotonin: A New Player in Systemic Energy Homeostasis.” Molecules and Cells 38.12 (2015): 1023–1028. PMC. Web. 29 May 2017.
  • Jenkins, Trisha A. et al. “Influence of Tryptophan and Serotonin on Mood and Cognition with a Possible Role of the Gut-Brain Axis.” Nutrients 8.1 (2016): 56. PMC. Web. 29 May 2017.
  • Abraham, Antony D., Kim A. Neve, and K. Matthew Lattal. “Dopamine and Extinction: A Convergence of Theory with Fear and Reward Circuitry.” Neurobiology of learning and memory 0 (2014): 65–77. PMC. Web. 30 May 2017.
  • Bromberg-Martin, Ethan S., Masayuki Matsumoto, and Okihide Hikosaka. “Dopamine in Motivational Control: Rewarding, Aversive, and Alerting.” Neuron 68.5 (2010): 815–834. PMC. Web. 30 May 2017.
  • Fodor I, Man SC, Dumitrascu DL. Low fermentable oligosaccharides, disaccharides, monosaccharides, and polyols diet in children. World J Clin Cases, 2019.
  • Gibson PR. History of the low FODMAP diet. J Gastroenterol Hepatol 2017

 

Salvar

Salvar